quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Horário de pico. Ônibus. Sentei, corredor. Engarrafamento, cansaço. Então veio um impulso estranho: queria deitar no ombro do colega ao lado. Me contive. Vai que ele tinha uma namorada psicopata. Vai que ele era o psicopata. Nada disso, me contive por covardia. Ora, vem cá, não somos todos humanos? Se eu o conhecesse há duas horas talvez sentisse total liberdade para fazer o que queria: encostar a cabeça no ombro dele e dormir. Mas o fato de ser um estranho me impediu de tal ato. Senti naquela auto-proibição toda a podridão do ser humano. Toda a minha podridão. Tentei cochilar sem o ombro. Mas não dava. Minha cabeça.. nem deixava. Uma hora se foi com tanta filosofia. Aquele ombro ainda me seduzia. Quando desci vi nos olhos dele que o teria me emprestado de bom grado. De muito bom grado.

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