domingo, 7 de outubro de 2018

Sobre risoto e solidão

Uma das melhores coisas que me aconteceu esse ano foi ter aprendido a desfrutar da minha própria companhia e isso tudo aconteceu graças a um boy lixo, muito lixo, que me deixou na mão várias vezes, varias noites. Os bolos se tornaram tão constantes que quando ele me chamava pra fazer algo eu já sabia que não vinha e iniciava meu ritual. Primeiro, limpava a casa, caso ele aparece subitamente, o que não era verdadeiramente um risco. Em seguida, desfrutava da sensação de limpeza do meu apartamento deitada na minha cama por alguns minutos. Faminta que estava e já que havia comprado ingredientes, preparava um delicioso jantar, usualmente risoto e o desfrutava com um vinho. Embriagada ia para o quarto ver um filme, me masturbar ou ouvir uma música. Na primeira noite eu estava triste. Ficava pensando em como eu queria ter alguém pra dividir aquele momento. Outras noites ficava triste por outros desprazeres da vida. Mas com o tempo passei a ficar mais feliz com a minha própria solidão. Hoje é um domingo desses, de faxina, solidão, risoto, vinho e jazz.


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