quinta-feira, 26 de novembro de 2009
sábado, 21 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Sempre fui meio nerds. Era o tipo da criança que sabia matemática. E que gostava. Gostava de todas as matérias, na verdade, a matemática era apenas a mais fácil. Por ser óbvia. Quando a tia pedia pra alguém ler um texto sempre me oferecia. E já lia melhor que os outros coleguinhas. Gostava dos trabalhinhos. E gostava de artes. Mas nunca soube desenhar. Também não sabia jogar bola. Era café com leite até na queimada. Também era chorona. Não podia deixar o cabelo crescer. E tinha raiva das minhas irmãs, mimadas. Filho do meio parece carregar um karma, sempre se sente menos protegido e menos privilegiado. O que no fundo, é verdade. Daí voltando ao tempo, vejo que ainda sou a mesma pessoa. Talvez a diferença esteja só no tamanho do cabelo.
Apesar de já estar no segundo semestre de engenharia continuo achando exatas mais fácil que humanas. E continuo achando tudo interessante. O que justamente me traz à indecisão. Apesar de ainda estar no segundo semestre de engenharia já tenho certeza de que não é isso o que eu quero. Tive aliás, há muito, antes mesmo de entrar talvez. Não consigo, simplesmente não consigo, me ver atrás de uma cadeira num escritório com ar condicionado e engravatados. Não consigo me imaginar levando uma vida comum, acordando cedo e lendo o jornal, chegando em casa e ligando a tv. Não consigo me imaginar pagando as prestações do carro. Agendando a viagem de 15 dias. Não é, definitivamente, o que eu quero.
Eu sei porque ainda não larguei tudo isso. Um dia me prometera que iria conquistar todas as coisas que sempre quis. Que iria fazer tudo dar certo. Que iria atrás dos meus sonhos. Mas será que eram esses mesmos os meus sonhos? Dinheiro, bolsas, sapatos? Carros, eletrodomésticos, sofá branco? Tapetes, taças, talheres de prata? Whiskys, jóias, marcas.
Sorrisos, abraços, amores. Praia, lua, fogueira. Pessoas, cachoeiras, ar. Vida. A vida sempre foi no fundo o meu sonho. O dinheiro apenas me pareceu um caminhou mais certo. Por parecer exato. Mas é falho. E o pior: é chato.
Um dia fui numa festa. Pessoas ricas, bonitas. Vestidos. E vi que não sentia a menor vontade de estar ali. Eu não pertencia àquele lugar, e veja só: não queria pertencer. No fundo, nunca quisera.
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