domingo, 12 de abril de 2009

Ontem percebi que eu não posso ficar sozinha, pois é exatamente isso o que me deixa triste. Não são as piadinhas de mal gosto, nem os berros e tapas de minha mãe, mas o vazio de estar no quarto sem ninguém com quem falar. Então ficou tão claro o porquê dos meus anos de ensino médio terem sido tão ruins: o fato de eu ter me isolado, me escondido como forma de fuga. As tardes monótonas, os fins de semana sem fim, a forma de vida que escolhi sem nunca desejar. Era apenas das pessoas que eu precisava, era apenas de uma conversa depois da aula, de um telefonema no fim de tarde, de um cinema ou um boliche, de qualquer coisa que não me deixasse naquele tédio que me fazia riscar paredes e arranhar pulsos. Era de uma aula de violão, de voltar a tocar bateria, de fazer algum exercício físico, qualquer saída daquele meu canto de lágrimas. Quando tento lembrar dos três últimos anos, me recordo daquelas tardes comendo porcarias em frente ao computador, das noites trancadas ouvindo música e me machucando, do sofá e da tv, dos sonhos e falta de planos, dos piores dias, pois eles foram maioria. Eu não sabia ser feliz, e na verdade era tão simples. Pessoas, apenas isso. Eu não precisava ter fugido delas. Eu não deveria.

Nenhum comentário: