segunda-feira, 25 de maio de 2020
sábado, 23 de maio de 2020
Há uns 10 anos atrás me lembro de estar na praia com meu cunhado e cocunhado fumando um, quando um deles perguntou:
- Se você pudesse estar em qualquer lugar agora, pra onde iria?
Eu apenas ri como sempre faço nesses momentos em que me faltam as palavras. Eu estava numa praia deserta, ao lado de pessoas queridas, passando minhas férias com minha família num lugar maravilhoso. Quando voltasse a faculdade na universidade que sempre quis estaria me esperando, com meus amigos. Eu não tinha conta pra pagar, chefe pra me cobrar. Não tinha responsabilidades. Tudo era festa, álcool e nicotina. Eu não poderia querer mais nada. Eu estava exatamente onde queria estar.
Mas se hoje me fizessem essa pergunta minha resposta seria:
- Qualquer lugar que não fosse aqui
Eu sei, deveria ser grata por tudo que tenho e de fato sou. Mas é tão difícil estar e apreciar o instante aqui e agora. Tenho nostalgia dos meus primeiros anos de faculdade, dizem que são os melhores anos da sua vida, e como foram. Será que eu já vivi tudo de melhor que podia e agora só me resta dor e sofrimento?
sábado, 9 de maio de 2020
E se dessa vez eu não voltar? É sempre assim. Viajo, me esqueço, me encontro. Esse aqui é meu lugar. Chega a hora de partir. Quero ficar pra sempre aqui. Vou pra ilha do algodoal. Vou me mudar pra Curitiba. Vou ficar em BH. Vou voltar pra Él Chaltén. Vou de barco pra Boipeba. E se eu ficasse em Amsterdam? A passagem pro Rio foi só de ida. Perdi me vôo, será um sinal? Lá na ilha do amor eu fui feliz.
sexta-feira, 8 de maio de 2020
Devaneios da quarentena
Hoje de manhã levei um pequeno susto ao ver meu gato pulando na cozinha pra fugir de uma chuva de vidro que se despejava subitamente.
- Desculpa, nós vamos arrumar.
E continuei tomando meu café no sofá improvisado que ganhei de segunda mão. Um acidente, resíduos de construção, algo pra mexer na minha rotina de acorda, trabalha, dorme. Algo pra tentar me fazer me mover, talvez, não sei. Meu mindinho dói com a ferida aberta por um dos cacos que voou para o sofá. Não foi à toa que demorei 14 horas e 09 minutos pra confirmar minha sessão de terapia semana que vem. Eu não estou bem. Saí mancando pra comprar leite condensado porque precisava de brigadeiro pra abafar a minha mente. Ao dar os primeiros passos na noite fria e vazia desisti. Comi um harumaki de doce de leite embaixo do bloco. Meditei. Vi série. Bebi uma taça de vinho tinto durante o expediente. Me culpei. Não chorei. Não sei o que dizer na terapia. Tenho apenas devaneios. Nada acontece, o que raios vou dizer?
A vida só acontece em minha própria cabeça
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